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Sem time, sem metodologia

Sem time, sem metodologia.

Falar de experiências com metodologias de desenvolvimento estava entre as minhas prioridades neste blog. Na onda do post do Vitor, achei interessante priorizar e dar mais "pano pra manga".

Bom, deixando de lado o "poder" da metodologia X ou Y, eu gostaria de focar no "poder" das pessoas envolvidas neste processo. Contar uma pequena experiência.

Felizmente trabalhei em uma grande empresa que aceitou o desafio de implantar uma metodologia de desenvolvimento em todos os seus departamentos. O ambiente era o melhor possível, juntava a "fome com a vontade de comer", os desenvolvedores e gerentes loucos por um processo de desenvolvimento, enquanto os diretores tinham paciência e dinheiro para implantar este projeto.

Sucesso ? Nem tanto !!!
Diretores fomentaram a implantação do RUP em todos os departamentos, e a escolha por tal metodologia foi recebida com "sorrisos amarelos" pelos líderes do meu departamento (tecnologia), afinal, estes líderes achavam o RUP "burocrático" demais para a tecnologia. Mas, vocês devem saber o que é uma ordem de diretoria, certo ? Então vamos a implantação.

Dado o devido treinamento é hora de colocar a mão na massa: especificação, casos de uso, diagramas, testes, ... enfim... tudo aquilo que o RUP disponibiliza, certo ? Errado.
Reuniões e mais reuniões entre líderes discutindo para que serve o tal "caso de uso". Debates filosóficos e intermináveis para (re)definir o objetivo de uma especificação. Atividades e mais atividades fora da metodologia, baixando ainda mais a produtividade no início da implantação.
Eu me perguntava: "Que tesão o 'Joãozinho' tem em criar o seu caso de teste, ouvindo o seu líder dizer que aquilo não presta ? É como ser incentivado a transar com uma mulher por alguém que não gosta de mulheres."

Então, depois de meses de "trabalho", adivinhem o que a diretoria viu de retorno ? Exatamente o que os líderes queriam, NADA, apenas mostrar que o RUP era um bixo papão e não servia para a tecnologia, sem ao menos vestir a camisa e tentar extrair o que de bom ele poderia oferecer. Na minha humilde opinião, a metodologia foi engolida pelos líderes logo no seu início.

A conclusão com este tipo de experiência, onde o insucesso acontece pela falta de TODOS vestirem a camisa, acredito que seja generalizável a qualquer ramo, atividade, idéia, objetivo, mudança. Isto vai de encontro as conclusões que o Bernardinho chegou, que o Vitor mencionou, e que qualquer pessoa com senso de grupo chegaria:


"Sem time, sem metodologia... sem time, sem mudanças !!!"

Sem time, sem metodologia (parte II).

Dando continuidade ao último post e aliviando um pouco a dor dos defensores do RUP, vou contar a experiência de implantação do XP em uma "empresa", na qual fui um mero observador. Como vocês devem suspeitar, o final desta história é claro que não é vitorioso, afinal este é o objetivo do post: "Sem time, sem metodologia".

A implantação do XP foi feita na equipe que desenvolve os softwares internos de uma universidade, que nada tem de diferente de uma grande empresa, tirando a maior burocracia claro.

Como sempre, o ambiente era o mais amigável para a implantação, cliente sempre perto (eles próprios), grupo de 8 desenvolvedores, vários deles experientes, "diretores" dando carta branca ao projeto, enfim, tudo nos conformes para o XP.

Consultoria básica para treinar o pessoal, com direito ao Klaus e tudo, toda aquela euforia na equipe, "gerente" feliz com este clima, novatos adorando o contato com pessoal mais experiente, coisa mais linda do mundo !!!

Bom, terminada a consultoria, hora de caminhar com as próprias pernas. Passaram alguns meses, disciplinas do XP sendo levadas na ponta dos dedos, novatos já não poderiam mais ser chamados de novatos, estavam detonando. E foi neste ponto que eu perdi o contato com essa galera. "Ah Giovane, e o final ?"

Em conversa rápida estes dias com um dos desenvolvedores, ele me contou o final. Realmente um final que eu nunca tinha imaginado. Todo aquele ambiente, produtividade, euforia, já era. Mataram o XP naquela equipe e voltaram a desenvolver como nos "bons" e "velhos" tempos.

Os ditos desenvolvedores "experientes" (sabe aqueles analistas dos velhos tempos ?), puxaram o barco para trás, deixaram de aplicar várias disciplinas, deixaram de passar conhecimento, deixaram de participar de um time para montar o seu "auto-clã".

Benditos dinossauros, com sua vontade atrofiada, cérebros de amendoim que só pensam na aposentadoria e praticam o comodismo. Só pode ser auto defesa isso, vendo que a gurizada estava chegando ao seu nível, mas com uma diferença, a sede de mudança.

Uma pena isso, que essa é uma das maravilhas do XP, nivelar tua equipe por cima !





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